“Eu quis te ligar de madrugada, mas não pra te encher com os meus problemas ou lembrar-te de todas as promessas que me fez. Eu quis te ligar pelo simples fato de ouvir sua voz, nem que fosse só por um minuto, por segundos, apenas um “alô” estava de bom tamanho. Eu quis te ligar de madrugada, é, da forma que fazíamos todos os dias. Incontáveis “eu te amo”, e a gente sempre discutia sobre quem amava mais, e nós nunca chegávamos num acordo, pois de certa forma, você nunca entenderia e veria o tamanho do meu amor, e eu também nunca teria noção do tamanho do seu. Éramos assim, a gente dizia nos conhecer, mas sequer tínhamos ideia do tamanho do amor. Inúmeras frases clichês, e eu, por mais cansado e triste que estava, aquelas 2/3 horas que conversávamos, era o bastante para me alegrar durante 1 mês, pois ninguém, além de você, sabia me deixar feliz somente com a voz. Voz meio grossa e fina, uma melodia pros meus ouvidos. Você dizia: “vou desligar, você deve estar cansado…”, e eu mentiroso como sou, dizia: “claro que não”, e eu sempre conseguia te enganar, porque eu sempre relevei o meu sono… Amanhã à tarde eu durmo um pouco - pensava - mas na madrugada, não importa quantas horas eu perdia de sono, o importante era te ouvir. Sinto saudade de tudo, inclusive das suas safadezas. Bem, só queria lembrar que tu ainda sabe o meu número, assim como eu ainda sei de cor o seu. Me liga numa madrugada qualquer, só pra eu te amar mais um pouquinho e matar a saudade da sua voz, nem que seja pra dizer que está bem sem mim… Apenas ligue-me.